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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Quase

Estava quase começando uma crônica. Disse quase.
O quase que me fez parar por um momento.
Na mais utilizada ferramenta de pesquisa, o famoso Google, digitei o quase. Entre as quase dezenas de milhares de páginas, uma delas me levou ao “Quase” de Luis Veríssimo.
O escritor destaca, entre as brincadeiras de palavras tornadas frases, que “ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase”. Concordo.
O quase atrapalha. Que quase faz, na verdade não faz. Quem quase morre, não morre. Mulher quase grávida, não está grávida. Quem quase é homem, não é homem. Quem quase sacia a fome, se mantém faminto. Quem quase sorri, continua triste. Quem quase lê o jornal, não sabe as notícias.
Então, quase terminei a crônica.
Quem quase termina, não termina, mas quase termina.